Biografia

It's Better to Travel

Originalmente formado pela ex-estilista Corinne Drewery nos vocais, o ex-A Certain Ratio Andrew Connell nos teclados e o ex-Magazine Martin Jackson na bateria, o Swing Out Sister conheceu seu grande sucesso comercial no final dos anos 80, quando o hit “Breakout” liderou a parada inglesa, abrindo caminho para o álbum “It’s Better To Travel” (87) e rendendo-lhes indicações ao Grammy e ao MTV Music Awards (os quais perderam para Jody Watley e Guns N’ Roses, respectivamente). Embora viessem de Manchester, pouco tinham a ver com a cena local: ao contrário da sonoridade pós-punk do New Order, seu pop dançante era mais influenciado pelo jazz.

Em 1988, Jackson deixou a banda, embora participasse como programador de bateria em algumas faixas do disco seguinte, “Kaleidoscope World” (89). Esse álbum, totalmente easy-listening, não obteve o mesmo sucesso nas rádios, mas foi bem recebido pela crítica e começou a definir o estilo retrô-chic que marcaria a trajetória da banda – até mesmo o clip de “You On My Mind” parece a abertura de um filme antigo da série 007!

“Get In Touch With Yourself” (92), o terceiro e mais dançante álbum da banda, trouxe a banda para os anos 90: guitarrinhas wah-wah e linhas de baixo marcadas apontam para a moderna cena acid jazz, mas, ironicamente, o único hit do álbum vem a ser o cover da popíssima “Am I The Same Girl”.

Ainda em 92 “Live At The Jazz Cafe” é gravado ao vivo no lendário club londrino de mesmo nome, sendo lançado no ano seguinte. O álbum soa como uma grande jam session, definindo o som que a banda tentaria recriar em estúdio em trabalhos posteriores.

Em 1994, o duo resolve apostar na sonoridade acústica e grava “The Living Return”, um retorno ao jazz/funk dos anos 70. Esse álbum traz o cover de “La La (Means I Love You)”, uma balada baba que faz parte da trilha sonora de Quatro Casamentos e Um Funeral, e a jam session “O Pesadelo Dos Autores” (assim mesmo, em português), com nada menos que 15 (!) nomes nos créditos.

Nesta época o grupo já era bem-visto no Japão, o que levou os produtores da novela japonesa The Midday Moon a encomendar-lhes a música-tema, uma balada deprê que tomou as paradas nipônicas e rendeu-lhes o Grand Prix Award de melhor single internacional. “Now You’re Not Here” foi posteriormente incluída em “Shapes And Patterns” (97), álbum que evidencia a influência de Burt Bacharach e Herb Alpert, de quem Connell é fã confesso.

1999 é o ano de “Filth And Dreams”, o trabalho mais experimental da banda até então, com toques de bossa nova e acid jazz. O disco foi lançado apenas no Japão, devido à dificuldade da gravadora em vender a banda para o público ocidental: com um som variando entre o urbano, o pop dançante, o easy-listening e o acid jazz, o Swing Out Sister se tornara um grupo muito difícil de rotular – e, conseqüentemente, de encontrar a prateleira certa na megastore.

Também lançado inicialmente apenas no Japão, “Somewhere Deep In The Night” (91) trouxe uma nova sonoridade ao currículo da banda: vocalizações lânguidas e várias faixas instrumentais sepultam de vez o estilo flamboyant dos trabalhos anteriores, mostrando uma banda densa e algo melancólica. Em uma das faixas, ouve-se até mesmo frases de auto-ajuda – em português!

Mas era tristeza demais para uma banda outrora tão vivaz: o álbum seguinte traria de volta a bossa nova, o easy-listening e o otimismo sessentista de Shapes And Patterns. “Where Our Love Grows” foi lançado em 2004 com excelentes críticas e a promessa de voltarem a se apresentar ao vivo. Promessa cumprida: em 2005 Corinne e banda (mas sem Andy) se apresentam em clubs de vários países – incluindo o mesmo Jazz Cafe onde haviam gravado seu primeiro álbum ao vivo. De uma destas apresentações sai o registro “Live In Tokyo”, onde velhas canções ganham novos e sofisticados arranjos – embora seja notória a ausência de metais. Em uma versão inusitada de “Now You’re Not Here”, surgem versos de “No Scrubs”, antigo hit das garotas do TLC.

 

Também em 2005 “Am I The Same Girl” viria a ser usada na abertura do novo programa de Martha Stewart, espécie de Ana Maria Braga americana que acabara de deixar a prisão após ser presa por fraude.

 

No ano seguinte, novamente a TV: Corinne e Andy são convidados para fazer a trilha sonora de The Outsiders, um novo drama de espionagem da TV britânica – a desculpa perfeita para Connell se aventurar novamente em sons que remetam a James Bond, martinis batidos – não misturados – e carros velozes. Mas ao contrário do que se especulava, as músicas da trilha não serão incluídas no próximo álbum da banda, prometido para 2007.

Texto: Silvio Tobias